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Uma menina de 2 meses de idade chamada Sarah é levada ao seu consultório para uma consulta de rotina. Os pais da menina relatam que ela está tendo noites muito difíceis. Ela apresenta períodos de choro que duram por mais de 3 horas. Estes períodos ocorreram em 5 dos últimos 6 dias. A mãe está exausta e quer saber se há algo errado com a fórmula infantil que você recomendou.
Sarah foi adotada de um orfanato internacional. Ela pesava 2,14 kg, e sua idade gestacional era de 34
semanas. Não se sabe se houve complicações intrauterinas ou no parto. A mãe foi avisada que Sarah poderia ter ”problemas de desenvolvimento”.
O exame físico é normal.
Sobre esse caso é CORRETO afirmar:
A. o fato da cólica ocorrer somente no período noturno indica provavelmente que é associada à intolerância alimentar
INCORRETO: Wessel especificou alguns critérios para cólica, como choro por mais de 3 horas por dia, por 3 dias ou mais por semanas e por mais de 3 semanas. A cólica tipicamente começa na idade gestacional de 41 a 42 semanas, mesmo em infantes pré-termo. Portanto, um infante de 34 semanas que chega para um exame de rotina às 8 semanas de idade está na idade pico para o início das cólicas. Há dois padrões clínicos: (1) irritabilidade paroxística, que tipicamente ocorre entre 5 e 8 pm, com o infante parecendo contente nos outros horários; (2) hiperirritabilidade, que ocorre em todas as horas em resposta a estímulos externos e internos difíceis de serem decifrados pelos adultos.
B. uma avaliação laboratorial extensa é sempre útil para obter dados e explicações sobre a causa das colicas
INCORRETO : A explicação para a cólica está no histórico e exame físico meticuloso. Qualquer problema que cause dor também pode causar irritabilidade, porém raramente irritabilidade paroxística.
C. a mudança da fórmula infantil é, frequentemente uma das melhores soluções para controlar as cólicas
INCORRETO : As principais ferramentas de controle são empatia, deixar que os pais descrevam o impacto do choro sobre o bem-estar familiar, e auxiliar nos sentimentos de ansiedade, culpa, isolamento e medo. Ao tentar várias opções de controle, como mudança da fórmula infantil, é importante enfatizar que esta tentativa clínica pode não funcionar.
D. a lactente tem pelo menos um fator de risco para paralisia cerebral
CORRETO : O fato de ser PIG e de peso ao nascimento moderadamente baixo aumenta os riscos de diplegia espástica. Crianças com PIG podem ter cólicas e temperamentos diferentes, assim como refluxo gastroesofágico e atraso no crescimento.
E. muito provavelmente não se trata de cólica, já que a mesma aparece quando o feto tem a idade gestacional de 41-42 semanas
INCORRETO : A cólica tipicamente começa na idade gestacional de 41 a 42 semanas, mesmo em infantes pré-termo. Portanto, um infante de 34 semanas que chega para um exame de rotina às 8 semanas de idade está na idade pico para o início das cólicas!
Gabarito: D
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FONTE:
Uma criança de 10 anos de idade chega ao seu consultório para um exame físico escolar de rotina. Na revisão dos sistemas, a criança tem-se queixado de fadiga, porém está indo bem na escola. A criança não está tomando medicação e está saudável. Há um histórico de problema tireoidiano na avó materna e tia paterna. No exame físico, você nota que a criança possui um bócio sem nódulos palpáveis

1) Quais são os testes laboratoriais que você solicitaria primeiro? (0,125 p)
2) A glândula tireóide é macia à palpação, e a criança relata que ele/ela teve uma infecção do trato respiratório superior nos últimos dias. Qual condição estaria no topo de seu diagnóstico diferencial? (0,125 p)
3) Qual seria o diagnóstico mais provável se o nível de T4 total fosse 4,5 mU/L (normal: 5-11,5 mU/L) e o de T4 livre 3mU/L (normal: 6,0-10,5 mU/L)? (0,125 p)
4) No caso assinalado na questão 3, qual a provável concentração de TSH para essa criança (normal: TSH 0,4-6,4 mU/L)? (0,125 p)
1) Quais são os testes laboratoriais que você solicitaria primeiro?
T4 total, indice de T4 livre, TSH e anticorpos tireoidianos.
A T4 total sérica é o principal hormônio tireoidiano no sangue, e testes laboratoriais medem as frações ligadas e não ligadas da T4. Pelo fato de grande parte da T4 estar ligada à globulina ligadora de tiroxina (TBG), transtiretina ou albumina, os níveis das proteínas de ligação afetam a concentração de T4 total. Portanto, os níveis dos hormônios tireoidianos livre e total podem não corresponder. O índice de tiroxina livre é um cálculo que reflete a biodisponibilidade do hormônio tireoidiano, pois leva em consideração a quantidade de proteína de ligação. O TSH é secretado pela hipófise sob o controle do hormônio liberador de tireotrofina (TRH) secretado pelo hipotálamo e, através do feedback negativo, dos hormônios tireoidianos. Vários anticorpos contra os antígenos tireoidianos foram demonstrados na tireoidite autoimune crônica, e estes níveis devem ser determinados em uma criança com bócio.(0,125 p)
2) A glândula tireóide é macia à palpação, e a criança relata que ele/ela teve uma infecção do trato respiratório superior nos últimos dias. Qual condição estaria no topo de seu diagnóstico diferencial?
Tireoidite subaguda. A tireoidite subaguda é uma inflamação autolimitante da glândula tireóide, a qual geralmente ocorre em associação a uma infecção do trato respiratório superior. A glândula tireóide pode ser muito macia à palpação. Frequentemente, há um padrão de hipertireoidismo secundário à liberação inapropriada do hormônio tireoidiano. Sinais e sintomas do hipertireoidismo podem persistir por 1-4 semanas, após o qual há geralmente o desenvolvimento de hipotireoidismo transitório com restauração da glândula. O ciclo total da enfermidade pode durar de 2 a 9 meses. O tratamento é normalmente com drogas anti-inflamatórias. (0,125 p)
3) Qual seria o diagnóstico mais provável se o nível de T4 total fosse 4,5 mU/L (normal: 5-11,5mU/L) e o de indice de T4 livre 3mU/L (normal: 6,0-10,5 mU/L)?
Tireoidite de Hashimoto. A anomalia mais comum da função da tireóide em crianças é o hipotireoidismo, geralmente causado pela tireoidite autoimune (Hashimoto). A tireoidite de Hashimoto é caracterizada por anticorpos antitireoidianos circulantes e graus variados de disfunção tireoidiana. Pode-se manifestar com ou sem bócio. É mais prevalente em meninas, e muitos pacientes possuem um histórico familiar de doença tireoidiana autoimune. A remissão espontânea foi relatada. Outras causas de hipotireoidismo adquirido incluem disgenesia tireoidiana de início tardio ou disormonogênese, deficiência de TSH, lesão da tireóide e deficiência de iodo. Reposição de T4 é o tratamento de escolha para hipotireoidismo. (0,125 p)
4) No caso assinalado na questão 3, qual a provável concentração de TSH para essa criança (normal: TSH 0,4-6,4 mU/L)
A resposta é 15 mU/L. O TSH estará elevado no tireoidismo secundário à tireoidite de Hashimoto. (0,125 p)
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