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Um lactente de 10 meses chega ao pronto-socorro com história de palidez de início abrupto. Ao exame físico, encontra-se taquipneico, taquicárdico, pálido, choroso, com saturação de oxigênio de 94%, pulsos periféricos palpáveis, tempo de enchimento capilar de 2 segundos e PA = 80 x 50 mmHg. O monitor cardíaco mostra FC = 260 bpm e ausência de ondas P, com QRS estreito. Foi realizada aplicação de gelo no rosto sem sucesso. A conduta mais adequada é:
A. manobra de Valsalva
INCORRETO: A manobra de Valsalva (inspirar profundamente e forçar a expiração contra glote fechada) não é factível em lactentes de 10 meses, pois eles não conseguem seguir instruções para realizá-la. Em crianças pequenas, as manobras vagais preferidas são imersão facial em água gelada ou aplicação de gelo no rosto (já tentada sem sucesso nesse caso), ou massagem do seio carotídeo unilateral. Indicar Valsalva seria ineficaz e inadequado para a idade.
B. amiodarona
INCORRETO : A amiodarona é um antiarrítmico classe III usado em arritmias refratárias ou em TSV instável/recorrente, mas não é a primeira linha em TSV estável inicial. Protocolos PALS recomendam-na apenas após falha de adenosina (duas doses) ou em casos de taquicardia ventricular, devido ao risco de hipotensão, bradicardia e prolongamento do QT. Nesse quadro agudo e estável, prioriza-se adenosina antes de escalar para amiodarona.
C. cardioversão elétrica sincronizada
INCORRETO : A cardioversão sincronizada (0,5-1 J/kg, aumentando para 2 J/kg se necessário) é indicada em TSV instável com sinais de choque (ex.: hipotensão grave, enchimento capilar > 3 s, alteração de consciência), o que não é o caso aqui (perfusão preservada). Em pacientes estáveis, opta-se por tratamento farmacológico primeiro para evitar os riscos da sedação e do procedimento elétrico em lactentes.
D. desfibrilação
INCORRETO : A desfibrilação (não sincronizada, 2-4 J/kg) é reservada para arritmias sem pulso como fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso, não para TSV com QRS estreito e pulsos presentes. Nesse ritmo organizado e com perfusão, a desfibrilação poderia causar lesão miocárdica desnecessária e não interromperia o circuito de reentrada de forma apropriada.
E. adenosina
CORRETO : Esse caso descreve um lactente de 10 meses com taquicardia supraventricular (TSV) paroxística, caracterizada por FC de 260 bpm, ausência de ondas P e QRS estreito no monitor cardíaco, com início abrupto manifestado por palidez súbita. O quadro é compatível com TSV estável, pois, apesar da taquipneia, taquicardia e palidez (sinais de compensação inicial), há preservação da perfusão periférica (pulsos palpáveis, tempo de enchimento capilar de 2 segundos – normal < 3 s), pressão arterial dentro dos limites aceitáveis para a idade (sistólica > 70 - 80 mmHg), saturação de O2 de 94% (leve hipoxemia, mas não crítica) e nível de consciência preservado (choroso, o que indica alerta). De acordo com o algoritmo de Suporte Avançado de Vida em Pediatria (PALS) da American Heart Association (AHA) e diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), após falha da manobra vagal inicial (aplicação de gelo no rosto, adequada para lactentes), a conduta mais apropriada em TSV estável com QRS estreito é a administração de adenosina intravenosa (dose inicial de 0,1 mg/kg, rápido bolus seguido de flush salino), que age interrompendo o circuito de reentrada atrioventricular, restaurando o ritmo sinusal em >90% dos casos. Essa abordagem é preferida por ser farmacológica, menos invasiva e eficaz em pacientes estáveis, evitando riscos desnecessários.
Gabarito: E
RATING: 3.02 ![]()
FONTE:
Queixa Principal: gemência e dificuldade respiratória.
HDA: RN de 1.630 g, 32 semanas de idade gestacional, mãe com 25 anos, segunda gestação. Trabalho espontâneo de parto com nascimento de RN pré-termo, Apgar: 6 e 8 (10 e 50 min).
Evoluiu com leve desconforto respiratório logo após o nascimento, sendo colocado em incubadora aquecida e oxigenoterapia a 3 litros por minuto na própria incubadora. Com 4 horas de vida a FR era de 72 irpm, com retrações e gemência, sendo o RN transferido para a UTI neonatal. HPF: Mãe com saúde, 25 anos. Pai com 29 anos com saúde. HGP: Gesta 2/Para 2. Na primeira gestação recém-nascido com 30 semanas e 1.430g, falecendo com 24 horas de vida por distúrbio respiratório.
Exame Físico: Peso: 1.630g, Comprimento: 41 cm, FC: 156 bpm, FR: 72 irpm, Tax: 36,50 C. Retração esternal, gemência, cianose de extremidades e distúrbio de perfusão. Evolução: radiografia de tórax mostrou padrão reticulo-granular com broncograma aéreo visível em ambas as bases.
Foi instalado um cateter em artéria umbilical e colhido sangue para exames. Gasometria Arterial mostrou pH: 7,10 – PO2: 38 mmHg-PCO2: 72 mmHg – HCO3: 13 mEq/l.
A pressão arterial era de 45/25 mmHg. Hematócrito de 37%, cálcio de 7,5 mg/dl e glicemia de 60 mg/dl.
1) Qual a primeira hipótese diagnóstica e justifique citando quatro achados da história que fazem pensar neste diagnóstico. - 0,125 pontos
2) Cite quatro diagnósticos diferenciais mais importantes. - 0,125 pontos
3) Interprete o resultado da Gasometria. - 0,125 pontos
4) Qual a conduta neste caso? - 0,125 pontos
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