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Sobre a obstrução do intestino grosso, é CORRETO afirmar:
A. as obstruções do intestino grosso são divididas em funcional e mecânica
CORRETO: A classificação das obstruções intestinais, incluindo as do intestino grosso, baseia-se em critérios etiológicos consolidados na literatura cirúrgica, dividindo-as em mecânicas, quando há bloqueio físico ao trânsito intestinal (como por tumores, vólvulos ou fecalomas), e funcionais, caracterizadas por paralisia da motilidade sem obstrução estrutural (como na pseudo-obstrução colônica aguda ou íleo paralítico pós-operatório). Essa divisão aplica-se especificamente ao intestino grosso, onde causas mecânicas predominam em neoplasias colorretais (responsáveis por 60-70% das obstruções colônicas) e vólvulos, enquanto as funcionais ocorrem em contextos como a síndrome de Ogilvie, uma dilatação colônica aguda sem obstrução mecânica, associada a distúrbios neurológicos ou medicamentosos. Estudos epidemiológicos e séries cirúrgicas, como os publicados no World Journal of Surgery e no Diseases of the Colon & Rectum, reforçam essa estratificação, que orienta o diagnóstico diferencial por meio de exames como radiografia abdominal (mostrando distensão colônica com níveis hidroaéreos) e tomografia computadorizada (identificando o ponto de transição em mecânicas), permitindo manejo adequado: conservador com descompressão nas funcionais e cirúrgico nas mecânicas graves. Essa classificação facilita a abordagem terapêutica, reduzindo morbimortalidade em pacientes idosos, onde obstruções colônicas incidem em até 20-30% dos casos de abdome agudo, destacando a importância de reconhecer o mecanismo subjacente para intervenções como endoprosteses em tumores ou neostigmina em pseudo-obstruções.
B. o vólvulo do sigmoide provoca obstrução mecânica do tipo obturação
INCORRETO : O vólvulo sigmoide, comum em idosos com cólon redundante (incidência de 40-60% das obstruções colônicas em regiões endêmicas), resulta em obstrução mecânica por estrangulamento, onde a torção do mesocólon interrompe o fluxo sanguíneo e o trânsito luminal, levando a isquemia e risco de perfuração cecal. O tipo obturação refere-se a obstrução intraluminal por massas como fecalomas ou corpos estranhos, sem componente vascular de torção, como descrito em classificações cirúrgicas padrão. Protocolos da American Society of Colon and Rectal Surgeons enfatizam que essa distinção afeta o manejo, com descompressão endoscópica inicial no vólvulo não isquêmico, contrastando com ressecção em obturações tumorais, tornando a classificação equivocada aqui.
C. válvula ileocecal competente agrava o quadro e está presente em 50% dos casos
INCORRETO : Embora a válvula ileocecal competente agrave a obstrução colônica ao impedir o refluxo para o intestino delgado, criando uma alça fechada com distensão progressiva e risco de perfuração (pressões >20 cmH2O no ceco), a prevalência de competência é superior a 70-80% em populações adultas, conforme estudos angiográficos e radiológicos. A cifra de 50% subestima essa frequência, possivelmente confundindo com taxas de incompetência em cenários específicos como sepse, onde a válvula pode relaxar. Revisões no British Journal of Surgery confirmam que em obstruções colônicas, a competência predomina, elevando a urgência de descompressão cirúrgica ou endoscópica para evitar complicações, invalidando o percentual apresentado.
D. desequilíbrio hidroeletrolítico é comum e se deve à grande capacidade de sequestro de líquidos pelos cólons
INCORRETO : Em obstruções do intestino grosso, o desequilíbrio hidroeletrolítico é menos frequente e grave comparado ao delgado, onde o sequestro luminal de líquidos (até 5-10 L/dia) leva a desidratação rápida. O cólon, com função absortiva primária (reabsorvendo 1-2 L/dia), apresenta distensão gasosa predominante na obstrução, com sequestro mínimo de líquidos devido à reabsorção proximal; desequilíbrios ocorrem secundariamente em perfurações ou sepse, não como mecanismo primário. Dados de guidelines da Eastern Association for the Surgery of Trauma indicam que reposição volêmica é priorizada no delgado, enquanto no grosso foca-se em descompressão para alívio pressórico, destacando a distinção fisiopatológica.
E. a síndrome de Moore é exemplo de obstrução do tipo funcional (íleo) espástico
INCORRETO : Essa afirmativa contém equívocos conceituais, pois a pseudo-obstrução colônica aguda, conhecida como síndrome de Ogilvie (não Moore, que pode ser um erro nominativo ou confusão com outros termos), representa obstrução funcional do tipo paralítico, com perda de motilidade por disfunção autonômica, levando a dilatação colônica sem bloqueio mecânico. O íleo espástico, raro e associado a toxinas ou distúrbios neuromusculares como porfiria, envolve contrações hiperativas, não a atonia observada em Ogilvie, comum em pós-operatórios ou comorbidades (incidência de 0,5-1% em hospitalizados). Literatura no American Journal of Gastroenterology reforça que o manejo com neostigmina visa relaxar o cólon paralítico, não espástico, tornando a classificação e nomenclatura incorretas.
Gabarito: A
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FONTE:
A mãe, do lar, de pouca escolaridade, tem outros três filhos sendo 2 do mesmo pai. A avó materna é HIV positiva e moram em casa de alvenaria com água e esgoto. A criança nasceu de parto normal, com 2950 g e 50 cm ficando internada por cinco dias para fototerapia, não sendo realizado VDRL. O pré-natal foi realizado inadequadamente.
O exame físico mostrou criança ativa, em bom estado geral, corada, hidratada, acianótica, anictérica, eupnéica, sem déficit ponderal ou de estatura, desenvolvimento físico e psicomotor compatíveis com a idade. O exame dos sistemas neurológico, cardiovascular, respiratório, abdome e membros eram normais. A cavidade oral exibia os incisivos centrais e superiores, em serrilhado típico (dentes de Hutchinson) e molares em amora, sendo observado um mal estado dentário.
1) Trata-se de sifilis congênita neste caso? Quais são os pontos de apoio para esse diagnóstico? - 0,25 pontos;
2) Qual é a atitude terapêutica a ser tomada imediatamente? - 0,25 pontos;
1) Trata-se de sifilis congênita neste caso? Quais são os pontos de apoio para esse diagnóstico? - 0,25 pontos;
Caso confirmado: quando o T. pallidum ou seu material genético é constatado fisicamente em amostras de lesões, líquido amniótico, cordão umbilical ou de tecidos oriundos da necropsia
Caso presuntivo: quando pelo menos um dos seguintes parâmetros está presente:
I) RN ou criança cuja mãe contaminada não tenha sido tratada ou o foi de forma inadequada;
II) RN ou criança exibindo teste treponêmico positivo e algumas das seguintes alterações: evidência de sífilis congênita ao exame físico; alterações radiológicas; VDRL positivo no líquor; elevado conteúdo de proteínas ou leucocitose no líquor, na ausência de outras causas; IgM positiva para lues
III) Natimorto sifilítico – morte fetal ocorrida em gestação de mais de 20 semanas ou feto com peso superior a 500g, nascido de mãe com sífilis não tratada ou inadequadamente tratada.
Os fatores de risco mais comumente associados a sífilis congênita:
- falta de atendimento pré-natal
- abuso de cocaína
- prostituição
- contato sexual desprotegido
- comercialização do sexo por drogas
- cuidados pré-natais inadequados
2) Qual é a atitude terapêutica a ser tomada imediatamente? - 0,25 pontos;
- Penicilina cristalina, em infusão venosa, na dose de 150.000 U/kg/dia divididos em 6 tomadas durante 14 dias.
- Penicilina benzatina 7.200.000UI, IM, em três doses semanais de 2.400.000 UI
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