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OBSTRUÇÕES INTESTINAIS (ÁREA DE CIRURGIA)

A descrição dos pacientes que se apresentam com uma obstrução do intestino delgado data do terceiro ou quarto séculos, quando Praxágoras criou uma fístula enterocutânea para aliviar uma obstrução intestinal. Apesar deste sucesso com a terapia cirúrgica, o tratamento não-cirúrgico destes pacientes com tentativas de redução de hérnias, laxativos, ingestão de metais pesados (exémplo, chumbo ou mercúrio) e sanguessugas para remover os agentes tóxicos do sangue era a regra até o final dos anos de 1800, quando a antissepsia e as técnicas cirúrgicas assépticas tornaram a intervenção cirúrgica mais segura e mais aceitável. Uma maior compreensão da fisiopatologia da obstrução intestinal e o emprego da ressuscitação com líquidos isotônicos, descompressão com sonda intestinal e antibióticos reduziram enormemente a taxa de mortalidade para os pacientes com uma obstrução intestinal mecânica.

No entanto, os pacientes com uma obstrução intestinal ainda representam alguns dos problemas mais difíceis e vexatórios que os cirurgiões enfrentam para o diagnóstico correto, o melhor.

OBJETIVA: (1434126 votos)..........96.53% das questões objetivas receberam votos.
Paciente de 17 anos, feminina, foi atendida no ambulatório de coloproctologia com queixas de eliminação de sangue nas fezes há dois meses. Ao exame clínico, encontrava-se com bom estado geral, corada e o exame proctológico evidenciou a presença de múltiplos pólipos pequenos, sésseis e pediculados em reto e sigmoide. Relata que o pai faleceu com câncer de reto aos 38 anos e tem dois tios que foram operados devido a tumores no intestino. Após realizar uma colonoscopia, retornou com o resultado que revelou polipose múltipla em todo o cólon e reto, o laudo histopatológico foi adenomas. A conduta terapêutica mais recomendada para a paciente é:
A. proctocolectomia total e anastomose ilioanal
B. proctocolectomia total e ileostomia
C. polipectomias endoscópicas seriadas
D. proctocolectomia total e anastomose bolsa-ilioanal
E. colectomia total com anastomose ileorretal

  RATING: 3

Paciente de 17 anos, feminina, foi atendida no ambulatório de coloproctologia com queixas de eliminação de sangue nas fezes há dois meses. Ao exame clínico, encontrava-se com bom estado geral, corada e o exame proctológico evidenciou a presença de múltiplos pólipos pequenos, sésseis e pediculados em reto e sigmoide. Relata que o pai faleceu com câncer de reto aos 38 anos e tem dois tios que foram operados devido a tumores no intestino. Após realizar uma colonoscopia, retornou com o resultado que revelou polipose múltipla em todo o cólon e reto, o laudo histopatológico foi adenomas. A conduta terapêutica mais recomendada para a paciente é:

A. proctocolectomia total e anastomose ilioanal
INCORRETO: Esta opção é semelhante à correta, mas omite a criação da bolsa ileal, implicando uma anastomose direta ileoanal, que é tecnicamente possível, mas raramente recomendada em PAF devido ao risco aumentado de incontinência fecal, diarreia crônica e disfunção evacuatória (taxas de falha funcional em até 30-40%). Sem o reservatório, a adaptação funcional é inferior, especialmente em jovens, tornando-a obsoleta em comparação à IPAA com bolsa, que otimiza o armazenamento e a evacuação. Não é a mais recomendada, pois diretrizes priorizam a versão restaurativa com pouch para preservar qualidade de vida.
B. proctocolectomia total e ileostomia
INCORRETO : Embora remova o cólon e reto, prevenindo o câncer, esta abordagem resulta em uma ileostomia terminal permanente, o que é desnecessariamente impactante para uma paciente jovem em bom estado geral, sem contraindicações para procedimentos restaurativos. A ileostomia é reservada para casos com disfunção esfincteriana, comorbidades graves ou falha prévia de IPAA, mas aqui não há indícios disso. Essa opção compromete a qualidade de vida (estigma social, complicações como prolapso ou dermatite) sem necessidade, violando o princípio de priorizar cirurgias continentais em pacientes elegíveis.
C. polipectomias endoscópicas seriadas
INCORRETO : Esta conduta é inadequada para PAF, pois a polipose é extensa (múltipla em todo o cólon e reto), tornando impossível a remoção completa e segura de todos os adenomas via endoscopia, com risco de recorrência rápida e progressão para câncer (taxa de malignização anual de 1-2% por pólipo). Em síndromes como esta, a vigilância endoscópica isolada ou remoções seriadas é insuficiente, servindo apenas como ponte temporária em pacientes inoperáveis ou com poucos pólipos; aqui, o histórico familiar e a extensão demandam intervenção radical profilática, não conservadora.
D. proctocolectomia total e anastomose bolsa-ilioanal
CORRETO : A proctocolectomia total com anastomose bolsa-ilioanal (também conhecida como IPAA, do inglês Ileal Pouch-Anal Anastomosis) é a conduta terapêutica mais recomendada neste caso, pois representa a abordagem padrão para pacientes jovens com polipose adenomatosa familiar (PAF) confirmada, caracterizada por polipose extensa em todo o cólon e reto, com adenomas histopatologicamente comprovados e histórico familiar sugestivo de herança autossômica dominante (pai falecido por câncer retal aos 38 anos e tios com tumores intestinais). Essa cirurgia envolve a remoção completa do cólon e reto, seguida da criação de uma bolsa ileal (reservatório em J, S ou W) que é anastomosada ao ânus, permitindo a preservação da continência fecal e evitando uma ostomia permanente. Em pacientes adolescentes como esta, com bom estado geral e sem comorbidades, a IPAA é preferida devido ao seu perfil restaurativo, com taxas de sucesso funcional superiores a 90% em centros especializados, reduzindo o risco de carcinoma colorretal para próximo de zero (já que remove o tecido adenomatoso de risco) e melhorando a qualidade de vida a longo prazo. A intervenção precoce é crucial, dado o risco cumulativo de malignização aproximando-se de 100% até os 40-50 anos sem tratamento, e diretrizes como as da American Society of Colon and Rectal Surgeons (ASCRS) e da European Society of Coloproctology endossam essa opção como primeira linha para casos com envolvimento retal significativo, como descrito.
E. colectomia total com anastomose ileorretal
INCORRETO : sta é uma alternativa cirúrgica pertinente em casos de PAF com envolvimento retal mínimo (poucos pólipos no reto), preservando o reto e evitando proctectomia, com vigilância retal subsequente. No entanto, é incorreta aqui devido à polipose múltipla no reto (evidenciada no exame proctológico e colonoscopia), aumentando o risco de câncer retal residual (até 25-30% em 10-20 anos). Diretrizes recomendam essa opção apenas para variantes atenuadas de PAF com reto poupado, não para casos clássicos como este, onde a remoção total é essencial para minimizar riscos oncológicos.

Gabarito:  D

AVALIE ESSA QUESTÃO: (3)

DISCURSIVA: (200472 votos) ..........100% das questões discursivas receberam votos.
Indicam os exames OBRIGATORIOS em todos os politraumatizados (0,5 p).


RATING: 2.47

Indicam os exames OBRIGATORIOS em todos os politraumatizados (0,5 p).

Ht, Hb
• Grupo sangüíneo e Fator Rh
• Amilase
• Radiografia de tórax AP
• Radiografia de bacia AP
• Radiografia de coluna cervical
• ECG
• ßHCG na mulher em idade fértil
• Ultra-som do abdome total
Exames OBRIGATORIOS em todos os politraumatizados:

1) Hematocrito (0,05 p)
2) Hemoglobina (0,05 p)
3) Grupo sangüíneo e Fator Rh (0,05 p)
4) Amilase (0,05 p)
5) Radiografia de tórax AP (0,05 p)
6) Radiografia de bacia AP (0,05 p)
7) Radiografia de coluna cervical (0,05 p)
8) Eletrocardiograma(0,05 p)
9) ß-HCG na mulher em idade fértil (0,05 p)
10) Ultra-som do abdome total (0,05 p)

FONTE:

AVALIE ESSA QUESTÃO: (2.47)

CASO CLINICO: (232638 votos)..........100% dos casos clinicos receberam votos.
Criança de 5 anos e 8 meses, conhecido com anemia falciforme apresentou um quadro leve de estado gripal, com febrícula (38,1°C) e sintomas não-específicos (rinorréia, tosse leve, dor abdominal) que persistiu um dia inteiro. A noite, durante o jantar apresenta, de repente, desmaio de alguns minutos enquanto estava tomando a refeição, com volta rápida. Asustados, os pais levam a criança no PS aonde o pediatra o atende e constata que a PA estava muito baixa (80/50 mm Hg), em seguida sendo hidratado com 1000 ml SF 0,9% i. v. Mesmo com a infusão, a criança apresenta diurese muito baixa, então, o plantonista decide solicitar a internação urgente do paciente.

1) Qual é a principal suspeita diagnóstica neste caso?   0,2 p

2) Qual é a explicação da oliguria do paciente?   0,1 p  

3) Quais são os principais agentes etiologicos implicados na atual complicação?   0,2 p




RATING: 2.68

1) Qual é a principal suspeita diagnóstica neste caso?   0,2 p

Observa-se, na primeira infância, uma esplenomegalia decorrente da congestão na polpa vermelha pelo seqüestro de eritrócitos falcizados nos cordões esplênicos e sinusóides, que evolui com a formação de trombose e infartos, culminando com a atrofia e fibrose do órgão. Este fenômeno, denominado de auto-esplenectomia, ocorre geralmente até os 5 anos de idade. A esplenectomia aumenta o risco de morte por infecção fulminante.  Como conseqüência da asplenia, haverá uma maior susceptibilidade a infecções por organismos encapsulados , ou seja, a infecção fulminante é a principal suspeita

2) Qual é a explicação da oliguria do paciente?   0,1 p  

Geralmente, há evolução rápida para choque séptico, com hipotensão arterial, anúria e coagulação intravascular disseminada, com necrose renal cortical ou necrose tubular aguda, necrose hepática e acúmulo de fluidos nas cavidades serosas.

3) Quais são os principais agentes etiologicos implicados na atual complicação?   0,2 p

Os principais agentes etiológicos associados a episódios de infecção bacteriana invasiva nos indivíduos com anemia falciforme, em ordem decrescente de freqüência, são:

  • Streptococos pneumoniae,
  • Salmonella spp,
  • Hib,
  • Escherichia coli
  • Klebsiella spp

AVALIE ESSE CASO CLINICO: (2.68)




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