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PRÉ E PÓS-OPERATÓRIO DE CIRURGIAS FUNDAMENTAIS DO SISTEMA VASCULAR PERIFÉRICO (ÁREA DE CIRURGIA)

A cirurgia é um dos tratamentos utilizados em pessoas com doenças dos sistemas arterial, venoso e linfático. Entretanto, antes de confirmar se o procedimento é necessário e se pode ser realizado, uma série de exames pré-operatórios para a cirurgia vascular vão ser solicitados. 

Esse tipo de intervenção só é indicada quando o problema do paciente não pode ser tratado com procedimentos menos invasivos. 

A doença vascular é uma condição na qual coágulos sanguíneos, aterosclerose e outras condições bloqueiam o sistema circulatório, impedindo o fluxo normal de sangue no corpo. 

O período perioperatório abrange os períodos pré, intra e pós-operatório, até 30 dias.

OBJETIVA: (1419293 votos)..........96.06% das questões objetivas receberam votos.
Enfermo de 68 anos, com diagnóstico prévio de insuficiência cardíaca - classe funcional III - e diabetes mellito, em uso de metformina. Evoluiu, há menos de 24 horas, com piora da dispneia, hipotensão e sensação de opressão no peito devido à fibrilação atrial. Em relação à fibrilação atrial, é CORRETO afirmar que:
A. O paciente tem quadro clínico gravemente comprometido, portanto deve-se indicar a cardioversão elétrica imediata como o tratamento de escolha
B. Quanto maior o intervalo entre o início da fibrilação atrial e a tentativa de cardioversão, maior a taxa de sucesso
C. Betabloqueadores e antagonistas dos canais de cálcio apresentam alta taxa de sucesso na reversão da fibrilação atrial
D. A anticoagulação antes e após a cardioversão não é necessária, pois a arritmia tem menos de 24 horas e o paciente não apresenta fatores de risco para embolia
E. A aspirina (325 mg/dia) tem a mesma eficácia que o warfarina para prevenir eventos tromboembólicos em pacientes com fibrilação atrial, independentemente da presença de fatores de risco

  RATING: 2.82

Enfermo de 68 anos, com diagnóstico prévio de insuficiência cardíaca - classe funcional III - e diabetes mellito, em uso de metformina. Evoluiu, há menos de 24 horas, com piora da dispneia, hipotensão e sensação de opressão no peito devido à fibrilação atrial. Em relação à fibrilação atrial, é CORRETO afirmar que:

A. O paciente tem quadro clínico gravemente comprometido, portanto deve-se indicar a cardioversão elétrica imediata como o tratamento de escolha
CORRETO: A fibrilação atrial é uma arritmia freqüente na população geral, sendo acompanhada de alto risco de eventos tromboembólicos sistêmicos, dentre os quais o acidente vascular encefálico é o mais catastrófico. As alterações hemodinâmicas são mais evidentes nas câmaras esquerdas, e uma vez iniciada a arritmia, a ausência da contração atrial efetiva não só dificulta o enchimento ventricular durante o final da diástole, como também resulta em estase sanguínea dentro do átrio. Esta estase, principalmente presente na aurícula esquerda, predispõe à formação de trombos dentro desta cavidade, os quais podem ser deslocados para qualquer região da circulação sistêmica. Além disso, o processo é acompanhado de aumento pressórico progressivo dentro do átrio, o que resulta em sua dilatação como medida compensatória. Em pacientes com instabilidade hemodinâmica, a cardioversão elétrica sincronizada imediata (100 a 200 J) deve ser o tratamento de escolha, mesmo nos casos de início indeterminado. A anticoagulação também deve ser iniciada, mas sem postergar a cardioversão. Em pacientes estáveis, com fibrilação atrial de início indeterminado ou sabidamente há mais de 48 horas, o risco de eventos embólicos, sem uma anticoagulação prévia adequada, torna a cardioversão precoce proibitiva. Nestes casos duas estratégias podem ser implementadas. Se o paciente for oligossintomático e a chance de ser mantido em ritmo sinusal for pequena (longos períodos em fibrilação, átrio esquerdo >4,5cm, disfunção ventricular), pode-se optar por mantê-lo em fibrilação atrial, com controle da freqüência ventricular se necessário. Para redução do risco de embolia, deverá ser indicada também aspirina (325mg/dia) ou warfarina, dependendo dos fatores de risco associados e da presença ou não de contra-indicações à anticoagulação crônica. Fatores associados a um maior risco de embolia e que justificam a anticoagulação são: idade >65 anos (principalmente >75 anos), insuficiência cardíaca, hipertensão arterial, diabetes, evento cerebrovascular prévio e valvulopatia reumática.
B. Quanto maior o intervalo entre o início da fibrilação atrial e a tentativa de cardioversão, maior a taxa de sucesso
INCORRETO : Até cerca de 48 horas do início da arritmia, a probabilidade de já haver trombos dentro do átrio esquerdo é pequena. Portanto, a reversão da arritmia pode ser realizada de forma precoce. Além disso, após a cardioversão, o átrio demora cerca de 4 semanas para recuperar sua contração normal, no processo conhecido como atrial stunning. Neste período, o risco de embolização ainda é alto, mesmo em ritmo sinusal, devendo ser mantida a anticoagulação oral com warfarina (INR entre 2 e 3).
C. Betabloqueadores e antagonistas dos canais de cálcio apresentam alta taxa de sucesso na reversão da fibrilação atrial
INCORRETO : veja o comentario da alternativa indicada pelo gabarito correto
D. A anticoagulação antes e após a cardioversão não é necessária, pois a arritmia tem menos de 24 horas e o paciente não apresenta fatores de risco para embolia
INCORRETO : Vale ressaltar que o próprio processo de cardioversão, química ou elétrica, apresenta um risco de embolização de até 7%, devendo-se iniciar heparinização venosa plena (òo/us 80UI/kg, seguido de 18UI/kg/h, mantendo a relação do PTT entre 1,5 e 2,5) antes do processo.
E. A aspirina (325 mg/dia) tem a mesma eficácia que o warfarina para prevenir eventos tromboembólicos em pacientes com fibrilação atrial, independentemente da presença de fatores de risco
INCORRETO : Ocorre, também, uma remodelação eletrofisiológica atrial, na qual o processo autoperpetua-se, ou seja, quanto maior o tempo que os átrios permanecem fibrilando, menor a chance de um retorno futuro ao ritmo sinusal. Assim, o manejo do paciente com fibrilação atrial depende de fatores como o tempo de início, o quadro hemodinâmico e o risco tromboembólico. O risco tromboembólico anual médio da fibrilação atrial é de cerca de 4,5%. Pacientes com menos de 65 anos, sem os fatores de risco citados, podem ser mantidos com aspirina. Neste grupo de pacientes, a warfarina não se mostrou rnais eficaz que a aspirina para a profilaxia de tromboembolismo. Se a opção for de tentar a reversão ao ritmo sinusal, dois caminhos podem ser seguidos. O primeiro seria anticoagular o paciente com warfarina durante 3 semanas, mantendo um INR entre 2 e 3. Em seguida, procede-se com a cardioversão, mantendo o cumarínico durante, no mínimo, mais 4 semanas. Outra estratégia emprega a utilização de um ecocardiograma transesofágico para identificar se há presença de trombos no átrio esquerdo. Pacientes sem trombos identificáveis podem ser precocemente cardiovertidos, concomitantemente à anticoagulação com heparina venosa, seguida de pelo menos mais 4 semanas de cumarínico. Aqueles com trombos devem ser manejados como os do primeiro grupo, antes e depois da cardioversão.

Gabarito:  A

AVALIE ESSA QUESTÃO: (2.82)

DISCURSIVA: (198505 votos) ..........100% das questões discursivas receberam votos.

Uma mãe de 27 anos, primigesta, com amenorreia e idade gestacional por ecografia de 28 semanas e 2 dias, tem sorologias e cultura para Streptococcus negativas. Desenvolveu diabetes durante a gestação, que foi controlado com dieta e doença hipertensiva. específica da gravidez, a partir da 22ª semana de gestação, récebeu 500 mg de metildopa e hidralazina sem controle dos níveis pressóricos e vinha apresentando epigastralgia e cefaleia. Além disso, recebeu 1 dose de corticoide, estava fora do trabalho de parto, com bolsa íntegra.e devido ao quadro materno evoluiu para parto cesárea. A criança nasceu com peso de 920 g, Apgar 7 e 10 no 1º e 5º minutos de vida, respectivamente, e foi necessário apenas oxigênio inalatório. Logo após o nascimento, mantinha respiração rítmica e apresentava desconforto respiratório com batimento de aleta nasal, tiragem intercostal, retração sub costal e esternal, gemência intermitente e oximetria de pulso de 83% em ar ambiente. Requerimentos:

a) Qual é a hipótese diagnóstica para o quadro respiratório? .... 0,15 pontos

b) Cite 2 achados que podem aumentar e 2 que podem reduzir o risco da hipótese levantada. ... 0.35 pontos



RATING: 2.96

Uma mãe de 27 anos, primigesta, com amenorreia e idade gestacional por ecografia de 28 semanas e 2 dias, tem sorologias e cultura para Streptococcus negativas. Desenvolveu diabetes durante a gestação, que foi controlado com dieta e doença hipertensiva. específica da gravidez, a partir da 22ª semana de gestação, récebeu 500 mg de metildopa e hidralazina sem controle dos níveis pressóricos e vinha apresentando epigastralgia e cefaleia. Além disso, recebeu 1 dose de corticoide, estava fora do trabalho de parto, com bolsa íntegra.e devido ao quadro materno evoluiu para parto cesárea. A criança nasceu com peso de 920 g, Apgar 7 e 10 no 1º e 5º minutos de vida, respectivamente, e foi necessário apenas oxigênio inalatório. Logo após o nascimento, mantinha respiração rítmica e apresentava desconforto respiratório com batimento de aleta nasal, tiragem intercostal, retração sub costal e esternal, gemência intermitente e oximetria de pulso de 83% em ar ambiente. Requerimentos:

a) Qual é a hipótese diagnóstica para o quadro respiratório? .... 0,15 pontos

b) Cite 2 achados que podem aumentar e 2 que podem reduzir o risco da hipótese levantada. ... 0.35 pontos

a) Hipótese diagnóstica para o quadro respiratório:

Síndrome do Desconforto Respiratório (SDR) do recém-nascido, decorrente de imaturidade pulmonar e deficiência de surfactante. (0.150 pontos)

b) Achados que podem aumentar o risco da SDR:

  • Prematuridade extrema (idade gestacional de 28 semanas e 2 dias). (0.075 pontos)
  • Diabetes gestacional materno, que interfere na maturação pulmonar fetal. (0.075 pontos)

Achados que podem reduzir o risco da SDR:

  • Administração antenatal de corticosteroide (mesmo que apenas 1 dose), promovendo aceleração da maturação pulmonar. (0.100 pontos)
  • Apgar elevado no 5º minuto (10), indicando boa adaptação inicial e menor gravidade de asfixia perinatal. (0.100 pontos)

FONTE:

PLATAFORMA MISODOR - PEDIATRIA - SÍNDROME DE DIFICULDADE RESPIRATÓRIA TIPO I (DOENÇA DAS MEMBRANAS HIALINAS)


AVALIE ESSA QUESTÃO: (2.96)

CASO CLINICO: (230664 votos)..........100% dos casos clinicos receberam votos.

Paciente do sexo masculino, 61 anos, portador de hipertensão arterial de longa data (em uso de três anti-hipertensivos), diabetes mellitus tipo 2 e história prévia de adenocarcinoma de cólon tratado há 4 anos (estádio II, sem evidência atual de doença).
Foi submetido a tomografia computadorizada de abdome por quadro de dor abdominal difusa e alteração do hábito intestinal. O exame revelou, de forma incidental, massa adrenal esquerda de 4,8 cm, densidade de 22 UH na fase sem contraste, realce heterogêneo e washout absoluto de 38 %.
Não há linfonodomegalias nem outras lesões suspeitas.
Avaliação laboratorial dirigida mostrou: cortisol sérico após 1 mg de dexametasona = 3,1 µg/dL; ACTH plasmático = 6 pg/mL; relação aldosterona/atividade de renina plasmática normal; metanefrinas fracionadas plasmáticas e urinárias dentro da normalidade; DHEAS e testosterona normais para a idade.
A ressonância magnética demonstrou sinal intermediário em T2 e queda de sinal incompleta nas sequências fora de fase. O paciente encontra-se assintomático do ponto de vista adrenérgico e não apresenta estigmas floridos de hipercortisolismo.

Questões

I. Qual a principal suspeita diagnóstica? (0,11 pontos)
II. Qual a possível causa da doença diagnosticada? (0,10 pontos)
III. Qual a melhor modalidade de confirmar o diagnóstico? (0,10 pontos)
IV. Qual o principal diagnóstico diferencial? (0,09 pontos)
V. Qual o tratamento da moléstia? (0,10 pontos)





RATING: 2.99

Respostas (pedagógicas e esquemáticas)

I. Suspeita diagnóstica
Incidentaloma adrenal (0,02 p) com secreção autônoma de cortisol (hipercortisolismo subclínico) (0,02 p) e características de imagem intermediárias para malignidade. (0,02 p)
Massa adrenal descoberta incidentalmente, associada a falha de supressão no teste com 1 mg de dexametasona e ACTH suprimido, além de densidade e washout não típicos de adenoma benigno. (0,05 p)
II. Possível causa da doença diagnosticada
Adenoma cortical adrenocortical com autonomia funcional parcial (produção autônoma de cortisol). (0,07 p)
Pode representar lesão de potencial maligno (carcinoma adrenocortical ou metástase) em paciente com história prévia de neoplasia. (0,03 p)
III. Melhor modalidade de confirmar o diagnóstico
Avaliação hormonal completa (já parcialmente realizada) combinada com caracterização imagiológica avançada (TC com protocolo de adrenal ou RM com sequência chemical-shift) e, quando indicado, PET-CT com FDG. (0,06 p)
A confirmação definitiva de natureza histológica, se necessária, só é obtida por ressecção cirúrgica (a biópsia percutânea tem indicação restrita). (0,04 p)
IV. Principal diagnóstico diferencial
Adenoma adrenal não funcionante versus metástase adrenal (especialmente de adenocarcinoma de cólon) versus carcinoma adrenocortical. (0,06 p)
O hipercortisolismo subclínico e a história oncológica prévia tornam esses três diagnósticos os mais relevantes. (0,03 p)
V. Tratamento da moléstia
Indicação de adrenalectomia laparoscópica (ou aberta se suspeita de malignidade) pelo tamanho > 4 cm, características de imagem intermediárias e secreção autônoma de cortisol. (0,06 p)
Após a cirurgia, monitorização hormonal e imagem de seguimento; em caso de carcinoma confirmado, associação de mitotano. (0,04 p)


AVALIE ESSE CASO CLINICO: (2.99)




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