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Após uma ressecção transuretral tecnicamente bem executada de um tumor vesical único, primário, papilar de 0,8 cm, Ta de baixo grau, com presença de músculo detrusor na peça anatomopatológica e exame bimanual normal, o urologista considera a terapia adjuvante imediata. Qual a afirmativa mais precisa sobre o papel da quimioterapia intravesical perioperatória nesse contexto?
A. Deve ser evitada pois a presença de músculo detrusor na peça indica maior risco de invasão e necessidade de abordagem mais agressiva
INCORRETO: A presença de músculo detrusor na peça cirúrgica é um marcador de qualidade da ressecção e está associada a menor taxa de recorrência na primeira cistoscopia de seguimento, não constituindo contraindicação à quimioterapia perioperatória. Pelo contrário, uma RTU completa com músculo presente é essencial para o bom prognóstico.
B. A citologia urinária tem baixa sensibilidade para tumores de baixo grau, tornando desnecessária sua coleta rotineira neste cenário
INCORRETO : Embora tumores de alto grau e CIS tenham maior descamação celular e melhor sensibilidade à citologia (superando 90% quando interpretada por patologista experiente), a citologia ainda tem valor no seguimento e manejo inicial. A coleta deve evitar a primeira urina da manhã e seguir técnica adequada (duas amostras durante cistoscopia, com heparina), sendo exame complementar de grande valor.
C. O narrow-band imaging ou a cistoscopia com luz azul não agregam valor diagnóstico significativo após a ressecção completa
INCORRETO : Tanto o diagnóstico fotodinâmico (com hexaminolevulinato sob luz azul) quanto o narrow-band imaging agregam valor significativo. O primeiro detecta cerca de 20% mais lesões papilares e CIS em comparação à luz branca, enquanto o NBI melhora o contraste em tumores hipervasculares, podendo reduzir taxas de recorrência ao melhorar a detecção.
D. A instilação de mitomicina C dentro das primeiras 6 horas após a ressecção reduz o risco de recorrência tumoral
CORRETO : A quimioterapia intravesical perioperatória, com mitomicina C como agente mais estudado, tem como princípio a destruição de células neoplásicas residuais flutuantes ou aderidas ao sítio de ressecção logo após a RTU. Evidências demonstram redução de cerca de 39% no risco relativo de recorrência (redução absoluta aproximada de 12%). O benefício é particularmente evidente em tumores Ta de baixo grau, primários e únicos, como no caso descrito. A administração deve ser o mais precoce possível, idealmente nas primeiras 6 horas, no mesmo dia da ressecção, quando a eficácia é maior, desde que não haja perfuração vesical.
E. Biópsias aleatórias da bexiga são mandatórias para excluir carcinoma in situ associado em tumores de baixo grau
INCORRETO : As biópsias aleatórias não são mandatórias em tumores de baixo grau papilares visíveis. Sua indicação é restrita a citologia positiva sem tumor visível ou neoplasias de aspecto não papilar. A incidência de CIS concomitante a tumor exofítico é relativamente baixa (2% a 14%).
Gabarito: D
RATING: 2.96 ![]()
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Anormalidades da Parede Torácica
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Deformidades de depressão/pectus excavatum (0,05 p)
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| Deformidades de protrusão/pectus carinatum (0,05 p) |
| Sindrome de Poland (0,05 p) |
| Defeitos esternais |
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- As sete costelas superiores (numeradas de 1 a 7) são costelas verdadeiras, pois se articulam diretamente com o esterno por meio de cartilagens. (0,05 p)
- As cinco costelas inferiores (numeradas de 8 a 12) são falsas costelas; elas não se conectam diretamente com o esterno, anteriormente; na maioria dos casos, conectam-se com a cartilagem costal acima delas. (0,05 p)
- As costelas 11 e 12 são costelas flutuantes. Elas podem ser pequenas ou grandes; articulam-se apenas com a coluna torácica. (0,05 p)
FONTE:
Paciente M, 3 anos de idade, 15 kg e 95 cm de altura, sexo masculino, pardo, segundo relato da mãe, a criança estava brincando com uma prima em casa quando seu tio foi sair com o carro e não observou que ele estava atrás do veículo, resultando em um acidente no qual a vítima ficou presa junto ao cano de descarga, sofrendo queimaduras de 2º e 3º grau em tórax e abdome, perfazendo cerca de 17% de superfície corporal. Foi internado no Centro de Tratamento de Queimados, realizando balneoterapia diária, desbridamento da ferida e curativo com sulfadiazina de prata. Foram administrados ao todo dois concentrados de hemácias de acordo com os critérios micro-hemáticos. No dia seguinte o paciente apresentava hemoglobina de 6,5 e hematócrito de 19,6, sendo realizada uma hemotransfusão. Houve necessidade de transfusão de mais um concentrado de internação pela cirurgia de enxertia que seria realizada no dia seguinte. Ao exame bioquímico de admissão, foi demonstrado hipoalbuminemia de 2,8 e proteínas totais de 5,1, havendo necessidade de reposição. Foram administrados no total 20 fracos de albumina. No 6º dia de internação, o paciente evoluiu com febre de 40ºC, apresentando tosse durante a noite. Houve suspeita de infecção e, após coleta de amostra de sangue para hemograma e hemocultura, foi iniciada antibioticoterapia. O resultado do swab oral veio positivo para Pseudomonas. Foi retirado o acesso venoso profundo em femural direita com seis dias de punção, e puncionado acesso venoso periférico em membro superior direito. Houve estabilização do quadro e o paciente realizou cirurgia de aloenxerto no 12º dia de internação.
Teve alta hospitalar no 16º dia. A partir de então, a criança começou a recusar a dieta e apresentar quadro de irritabilidade, febre não aferida e um episódio de diarreia em casa, segundo a mãe. A genitora optou por realizar os cuidados com a diarreia e a febre em casa por achar se tratar de uma infecção sem importância, tratando a criança com terapia de reidratação oral e antipiréticos.
Dois dias depois, a mãe volta com a criança na emergência por apresentar febre de 40,3ºC associada a vômitos. Ao exame, a criança estava taquicárdica e hipotensa.
Observam o caso acíma e respondam ás seguintes questões:
(I) Qual é a complicação mais perigosa que pode ocorrer de imediato numa criança com queimadura?.......... 0,08 pontos
(II) Qual é a reposição volêmica necessária na primeira internação e como deve ser administrada?.............0,105 pontos
(III) Qual é o melhor critério de avaliação da reposição volêmica na primeira internação e qual é o valor desse parâmetro no caso desta criança?.......0,105 pontos
(IV) Que complicação grave apresentou a criança na segunda internação e quais são as primeiras medidas a ser consideradas?........0,210 pontos
(I) Qual é a complicação mais perigosa que pode ocorrer de imediato numa criança com queimadura?
As queimaduras têm elevada taxa de mortalidade pelas várias complicações, a mais perigosa sendo o choque tipo hipovolêmico (0,04 p) e hiponatrêmico (0,04 p).
(II) Qual é a reposição volêmica necessária na primeira internação e como deve ser administrada?
Utilizando-se a fórmula de Parkland para um paciente com 15 kg e queimadura de 3° grau em 17% de área queimada, necessita de um total de 1020 ml/24 horas Ringer lactato ou soro fisiologico (0,035 p), 510 ml nos primeiros 8 horas (0,035 p) e 510 ml nas 16 horas seguintes (0,035 p).
(III) Qual é o melhor critério de avaliação da reposição volêmica na primeira internação e qual é o valor desse parâmetro no caso desta criança?
O débito urinário é o principal parâmetro para avaliação da volemia e perfusão tissular (0,035 p). O volume urinário deve ser mantido em torno de 1,5 mL/kg/h (0,035 p), ou seja, 22,5 ml/hora (0,035 p).
(IV) Que complicação grave apresentou a criança na segunda internação e quais são as primeiras medidas a ser consideradas?
Síndrome do Choque Tóxico. (0,035 p)
Reposição volêmica agressiva (0,035 p), antibioticoterapia iv na primeira hora (0,035 p), transferir para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) (0,035 p), se necessário intubação (0,035 p) e ventilação mecânica (0,035 p).
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