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Um menino de 2 anos apresenta episódios recorrentes de resfriado comum, 4 otites no último ano e 2 amigdalites, além de quadro de rinite alérgica e dermatite atópica leve. Tem antecedente de 1 episódio de pneumonia aos 15 meses, tratado com antibiótico por via oral. O pediatra solicitou dosagem de imunoglobulinas sêricas, que mostrou os seguintes resultados: lgA = 7,5 (33 a 308), lgG = 1.020 (630 a 2.000), lgM = 114 (24 a 276) e lgE = 98 (<60), Assinale a alternativa CORRETA:
A. trata-se de criança com deficiência transitória de lgA, com resolução espontânea e obrigatória até os 4 anos Dados fornecidos: Interpretação dos achados: Baixa isolada de IgA, outras imunoglobulinas normais, quadro clínico compatível com infecções respiratórias de repetição e atopia. Sobre deficiência de IgA:
INCORRETO: A resolução é comum, mas não “obrigatória”.
B. trata-se de deficiência seletiva de lgA, que acompanhará essa criança por toda a vida
INCORRETO : Não pode afirmar deficiência seletiva antes dos 4 anos de idade.
C. trata-se de criança atópica, com imaturidade do sistema imunológico, não sendo adequado utilizar o termo ”deficiência de lgA”
INCORRETO : O termo “deficiência de IgA” é apropriado diante da dosagem laboratorial e do quadro clínico.
D. trata-se de deficiência de lgA, que só poderá ser definida como transitória ou seletiva após os 4 anos
CORRETO : Vamos analisar o caso:
Antes dos 4 anos, pode ser deficiência transitória (pode se normalizar). Deficiência seletiva de IgA é diagnosticada somente após essa idade.
E. trata-se de criança com asma atopica, que oderia ser investigada apenas com 6 anos ou mais em consulta com pneumologista pediatra
INCORRETO : Já há manifestações clínicas e alteração laboratorial relevantes.
Gabarito: D
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FONTE:
Homem de 67 anos, procedente do interior, refere “papo” há mais de 20 anos, de crescimento lento. Há 10 meses passou a ter dispneia progressiva, pior ao deitar (ortopneia), tosse seca e engasgos com sólidos. Relata plenitude facial e “aperto no pescoço” ao erguer os braços para pentear o cabelo. Nega palpitação, emagrecimento febril ou rouquidão fixa. Nega cirurgia cervical prévia.
Exame. Tireoide multinodular, endurecida, com o polo inferior direito não palpável (parece “mergulhar” atrás da fúrcula). Desvio traqueal à esquerda. Ao elevar ambos os membros superiores por 30–60 s: pletora facial, turgência jugular e piora da dispneia (sinal de Pemberton positivo). Sem linfonodos cervicais dominantes. Ausculta pulmonar com estridor discreto em decúbito. Ginecomastia bilateral.
Exames iniciais. TSH 1,8 mUI/L; T4 livre normal. Ultrassonografia cervical: bócio multinodular; o lobo direito não é delimitado inferiormente — o transdutor “perde” o polo no estreito torácico superior. Radiografia de tórax: alargamento do mediastino superior e desvio/estreitamento traqueal.


Sinal de Pemberton (congestão ao elevar os braços) positivo e radiografia com massa mediastinal superior + desvio traqueal.
Bócio substernal / retrosternal / mergulhante (extensão de tecido tireoidiano abaixo do estreito torácico superior; definição operacional frequente: >50% da glândula no tórax ou descida >3 cm abaixo da fúrcula / além de T4). (0,04 p)
Apoiam a hipótese:
Lembrete de prova: a maioria é eutireóidea; função normal não exclui o diagnóstico.
Na vasta maioria trata-se de bócio secundário (mergulhante): crescimento caudal de um bócio multinodular crônico cervical, e não de um tumor mediastinal “nascido” no tórax. (0,04 p)
Mecanismo anatômico clássico: a glândula encontra teto ósseo-muscular (esterno, músculos pré-tireoidianos, fáscia) e é “puxada” para o mediastino pela gravidade e pela pressão negativa intratorácica. (0,03 p)
Contexto epidemiológico: mulher idosa, bócio de décadas; historicamente associado a deficiência de iodo (bócio colóide multinodular). (0,02 p)
O bócio primário mediastinal (tecido tireoidiano ectópico com vascularização própria, independente das artérias tireóideas inferiores) é raro (~1%). (0,01 p)
Tomografia computadorizada de pescoço e tórax (com contraste, se a função e o plano cirúrgico permitirem): é o exame que confirma a origem tireoidiana da massa, mede quanto da glândula está abaixo da fúrcula e mapeia traqueia, esôfago e grandes vasos. (0,05 p)
A TC também define a via operatória (cervicotomia isolada vs. necessidade de esternotomia) — extensão além do arco aórtico, componente posterior, vascularização anômala ou perda de plano com estruturas vitais. (0,03 p)
TSH e T4 livre avaliam o estado funcional (tóxico vs. atóxico), mas não comprovam a topografia substernal. US e cintilografia são adjuvantes; o US não substitui a TC no mediastino. (0,02 p)
(IV) Principal diagnóstico diferencial:
Diante de massa do mediastino anterior, o diferencial clássico de banca é o timoma (um dos “4 T’s”). (0,05 p)
Os demais T’s e vizinhos: teratoma / tumor de células germinativas, “terrible lymphoma”, além de linfonodomegalia e aneurisma/ectasia da aorta. (0,03 p)
O que pende para bócio (e afasta timoma “puro”): continuidade direta com a tireoide cervical, densidade/nódulos semelhantes aos lobos cervicais e vascularização a partir das artérias tireóideas inferiores. (0,02 p)
O tratamento definitivo é cirúrgico: tireoidectomia (em geral total ou quase-total no bócio multinodular bilateral), porque o bócio mergulhante tende a crescer, comprime via aérea e pode ocultar neoplasia (risco de malignidade da ordem de 3–21% nas séries). (0,04 p)
Na grande maioria a peça sai por cervicotomia (incisão de Kocher), inclusive com componente mediastinal volumoso, desde que haja pedículo cervical. (0,03 p)
Esternotomia (ou toracotomia) fica para a minoria (~2–10%): bócio primário, extensão abaixo do arco aórtico, recidiva, invasão por câncer ou vascularização mediastinal independente. (0,02 p)
Iodo radioativo (e drogas antitireoidianas) não descomprimem de forma confiável um mergulhante volumoso; reservam-se ao paciente inoperável ou ao componente tóxico associado. (0,01 p)
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