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A VIGILÂNCIA DOS MAIS IMPORTANTES AGRAVOS NA SAÚDE (ÁREA DE SAUDE PUBLICA)

Tendo como fonte o Guia de Vigilância Epidemiológico do Ministério da Saúde - ano de 2002 - (www.funasa.gov.br). destacamos as informações no campo da epidemiologia, vigilância epidemiológica e medidas de controle de alguns importantes agravos à saúde.

No Guia poderemos encontrar também os aspectos clínicos e laboratoriais destes agravos, bem como na página da Fundação Nacional de Saúde existem outros documentos que atualizam os dados epidemiológicos, caracterizando o perfil de morbidade e mortalidade do país.


OBJETIVA: (1430673 votos)..........96.35% das questões objetivas receberam votos.
Um menino de 2 anos apresenta episódios recorrentes de resfriado comum, 4 otites no último ano e 2 amigdalites, além de quadro de rinite alérgica e dermatite atópica leve. Tem antecedente de 1 episódio de pneumonia aos 15 meses, tratado com antibiótico por via oral. O pediatra solicitou dosagem de imunoglobulinas sêricas, que mostrou os seguintes resultados: lgA = 7,5 (33 a 308), lgG = 1.020 (630 a 2.000), lgM = 114 (24 a 276) e lgE = 98 (<60), Assinale a alternativa CORRETA:
A. trata-se de criança com deficiência transitória de lgA, com resolução espontânea e obrigatória até os 4 anos
B. trata-se de deficiência seletiva de lgA, que acompanhará essa criança por toda a vida
C. trata-se de criança atópica, com imaturidade do sistema imunológico, não sendo adequado utilizar o termo ”deficiência de lgA”
D. trata-se de deficiência de lgA, que só poderá ser definida como transitória ou seletiva após os 4 anos
E. trata-se de criança com asma atopica, que oderia ser investigada apenas com 6 anos ou mais em consulta com pneumologista pediatra

  RATING: 2.81

Um menino de 2 anos apresenta episódios recorrentes de resfriado comum, 4 otites no último ano e 2 amigdalites, além de quadro de rinite alérgica e dermatite atópica leve. Tem antecedente de 1 episódio de pneumonia aos 15 meses, tratado com antibiótico por via oral. O pediatra solicitou dosagem de imunoglobulinas sêricas, que mostrou os seguintes resultados: lgA = 7,5 (33 a 308), lgG = 1.020 (630 a 2.000), lgM = 114 (24 a 276) e lgE = 98 (<60), Assinale a alternativa CORRETA:

A. trata-se de criança com deficiência transitória de lgA, com resolução espontânea e obrigatória até os 4 anos
INCORRETO: A resolução é comum, mas não “obrigatória”.
B. trata-se de deficiência seletiva de lgA, que acompanhará essa criança por toda a vida
INCORRETO : Não pode afirmar deficiência seletiva antes dos 4 anos de idade.
C. trata-se de criança atópica, com imaturidade do sistema imunológico, não sendo adequado utilizar o termo ”deficiência de lgA”
INCORRETO : O termo “deficiência de IgA” é apropriado diante da dosagem laboratorial e do quadro clínico.
D. trata-se de deficiência de lgA, que só poderá ser definida como transitória ou seletiva após os 4 anos
CORRETO : Vamos analisar o caso:

Dados fornecidos:

  • Menino de 2 anos
  • Episódios recorrentes de infecções respiratórias: vários resfriados, 4 otites, 2 amigdalites no último ano, e 1 episódio de pneumonia previamente
  • Rinite alérgica e dermatite atópica leve
  • Dosagem de imunoglobulinas:
  • IgA = 7,5 (muito abaixo do normal para a idade: 33 a 308)
  • IgG = 1.020 (normal para idade)
  • IgM = 114 (normal para idade)
  • IgE = 98 (aumentada; <60 é o valor de referência)

Interpretação dos achados:

Baixa isolada de IgA, outras imunoglobulinas normais, quadro clínico compatível com infecções respiratórias de repetição e atopia.

Sobre deficiência de IgA:

  • Deficiência seletiva de IgA só pode ser confirmada após os 4 anos de idade, pois antes disso pode ser deficiência transitória de IgA, pois o amadurecimento imunológico pode ocorrer ao longo da infância.
  • A maioria das crianças com deficiência de IgA <4 anos normaliza espontaneamente.
  • Comorbilidades alérgicas podem acompanhar ambos.
Antes dos 4 anos, pode ser deficiência transitória (pode se normalizar). Deficiência seletiva de IgA é diagnosticada somente após essa idade.

E. trata-se de criança com asma atopica, que oderia ser investigada apenas com 6 anos ou mais em consulta com pneumologista pediatra
INCORRETO : Já há manifestações clínicas e alteração laboratorial relevantes.

Gabarito:  D

AVALIE ESSA QUESTÃO: (2.81)

DISCURSIVA: (200032 votos) ..........100% das questões discursivas receberam votos.
Em relação ao Sistema de Informação em Saúde no Brasil (SIS):
A) Cite três dos principais problemas que afetam esse Sistema. (0,15 pontos)
B) Cite três das principais fontes de dados utilizadas pelo SIS. (0,15 pontos)
C) Discuta a aplicação dos dados do SIS nas ações dos serviços de saúde e nas práticas de atenção à saúde. (0,2 pontos)


RATING: 2.79

Em relação ao Sistema de Informação em Saúde no Brasil (SIS):
A) Cite três dos principais problemas que afetam esse Sistema. (0,15 pontos)
B) Cite três das principais fontes de dados utilizadas pelo SIS. (0,15 pontos)
C) Discuta a aplicação dos dados do SIS nas ações dos serviços de saúde e nas práticas de atenção à saúde. (0,2 pontos)

1) Principais problemas:
  • falta de treinamento de pessoal (0,05 p)
  • ausência de registros confiáveis (0,05 p)
  • ausência de integração do SIS com as estruturas prestadoras de serviços (retroalimentação) (0,05 p)
2) Principais fontes de dados estruturas prestadoras de serviços de saúde:
  • hospitais (0,05 p)
  • policlínicas (0,05 p)
  • rede básica (0,05 p)
  • laboratórios clínicos (0,05 p)
  • cartórios de registros (0,05 p)
3) As informações do SIS brasileiro são utilizadas na construção de indicadores de Saúde, baseadas na esfera clínica ligada à prestação de serviços no sentido individual, como exemplo:
  • indicadores de mortalidade e morbidade (0,05 p)
  • informações epidemiológicas, em que constam: (0,05 p)
  • dados populacionais
  • informações demográficas
  • informações de caráter socioeconômico
  • informações de caráter administrativo (recursos humanos, financeiros e de processo de trabalho dos serviços de saúde)

FONTE:

AVALIE ESSA QUESTÃO: (2.79)

CASO CLINICO: (232238 votos)..........100% dos casos clinicos receberam votos.

Homem de 67 anos, procedente do interior, refere “papo” há mais de 20 anos, de crescimento lento. Há 10 meses passou a ter dispneia progressiva, pior ao deitar (ortopneia), tosse seca e engasgos com sólidos. Relata plenitude facial e “aperto no pescoço” ao erguer os braços para pentear o cabelo. Nega palpitação, emagrecimento febril ou rouquidão fixa. Nega cirurgia cervical prévia.

Exame. Tireoide multinodular, endurecida, com o polo inferior direito não palpável (parece “mergulhar” atrás da fúrcula). Desvio traqueal à esquerda. Ao elevar ambos os membros superiores por 30–60 s: pletora facial, turgência jugular e piora da dispneia (sinal de Pemberton positivo). Sem linfonodos cervicais dominantes. Ausculta pulmonar com estridor discreto em decúbito. Ginecomastia bilateral.

Exames iniciais. TSH 1,8 mUI/L; T4 livre normal. Ultrassonografia cervical: bócio multinodular; o lobo direito não é delimitado inferiormente — o transdutor “perde” o polo no estreito torácico superior. Radiografia de tórax: alargamento do mediastino superior e desvio/estreitamento traqueal.



Sinal de Pemberton (congestão ao elevar os braços) positivo e radiografia com massa mediastinal superior + desvio traqueal.

I. Qual a principal suspeita diagnóstica? (0,10 pontos)
II. Qual a possível causa da doença diagnosticada? (0,10 pontos)
III. Qual a melhor modalidade para confirmar o diagnóstico (e planejar a via)? (0,10 pontos)
IV. Qual o principal diagnóstico diferencial? (0,10 pontos)
V. Qual o tratamento da moléstia? (0,10 pontos)



RATING: 3.11

(I) Suspeita diagnóstica:

Bócio substernal / retrosternal / mergulhante (extensão de tecido tireoidiano abaixo do estreito torácico superior; definição operacional frequente: >50% da glândula no tórax ou descida >3 cm abaixo da fúrcula / além de T4). (0,04 p)

Apoiam a hipótese:

  • polo inferior não palpável e US que não delimita o limiar mediastinal — continuidade cervicotorácica. (0,02 p)
  • sinal de Pemberton: o gesto de elevar os braços reduz o estreito torácico e desmascara compressão venosa/traqueal. (0,02 p)
  • síndrome compressiva (ortopneia, disfagia, desvio traqueal no RX). (0,02 p)

Lembrete de prova: a maioria é eutireóidea; função normal não exclui o diagnóstico.

(II) Possível causa da doença diagnosticada

Na vasta maioria trata-se de bócio secundário (mergulhante): crescimento caudal de um bócio multinodular crônico cervical, e não de um tumor mediastinal “nascido” no tórax. (0,04 p)

Mecanismo anatômico clássico: a glândula encontra teto ósseo-muscular (esterno, músculos pré-tireoidianos, fáscia) e é “puxada” para o mediastino pela gravidade e pela pressão negativa intratorácica. (0,03 p)

Contexto epidemiológico: mulher idosa, bócio de décadas; historicamente associado a deficiência de iodo (bócio colóide multinodular). (0,02 p)

O bócio primário mediastinal (tecido tireoidiano ectópico com vascularização própria, independente das artérias tireóideas inferiores) é raro (~1%). (0,01 p)


(III) Melhor modalidade para confirmar o diagnóstico

Tomografia computadorizada de pescoço e tórax (com contraste, se a função e o plano cirúrgico permitirem): é o exame que confirma a origem tireoidiana da massa, mede quanto da glândula está abaixo da fúrcula e mapeia traqueia, esôfago e grandes vasos. (0,05 p)

A TC também define a via operatória (cervicotomia isolada vs. necessidade de esternotomia) — extensão além do arco aórtico, componente posterior, vascularização anômala ou perda de plano com estruturas vitais. (0,03 p)

TSH e T4 livre avaliam o estado funcional (tóxico vs. atóxico), mas não comprovam a topografia substernal. US e cintilografia são adjuvantes; o US não substitui a TC no mediastino. (0,02 p)


(IV) Principal diagnóstico diferencial:

Diante de massa do mediastino anterior, o diferencial clássico de banca é o timoma (um dos “4 T’s”). (0,05 p)

Os demais T’s e vizinhos: teratoma / tumor de células germinativas, “terrible lymphoma”, além de linfonodomegalia e aneurisma/ectasia da aorta. (0,03 p)

O que pende para bócio (e afasta timoma “puro”): continuidade direta com a tireoide cervical, densidade/nódulos semelhantes aos lobos cervicais e vascularização a partir das artérias tireóideas inferiores. (0,02 p)


(V) Tratamento da moléstia:

O tratamento definitivo é cirúrgico: tireoidectomia (em geral total ou quase-total no bócio multinodular bilateral), porque o bócio mergulhante tende a crescer, comprime via aérea e pode ocultar neoplasia (risco de malignidade da ordem de 3–21% nas séries). (0,04 p)

Na grande maioria a peça sai por cervicotomia (incisão de Kocher), inclusive com componente mediastinal volumoso, desde que haja pedículo cervical. (0,03 p)

Esternotomia (ou toracotomia) fica para a minoria (~2–10%): bócio primário, extensão abaixo do arco aórtico, recidiva, invasão por câncer ou vascularização mediastinal independente. (0,02 p)

Iodo radioativo (e drogas antitireoidianas) não descomprimem de forma confiável um mergulhante volumoso; reservam-se ao paciente inoperável ou ao componente tóxico associado. (0,01 p)


AVALIE ESSE CASO CLINICO: (3.11)




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