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Com relação à alimentação da criança, os conceitos atuais envolvem a aceitação da diversidade e da opção dos pais. Assinale a alternativa CORRETA sobre as práticas alimentares:
A. baseiam-se em tradições e não nas recomendações usuais, devendo o médico assistente intervir somente para adequar seus efeitos negativos
INCORRETO: Embora as tradições culturais devam ser respeitadas como parte da diversidade, as orientações do médico devem se basear em evidências científicas desde o início, promovendo a adequação preventiva e não apenas corretiva de efeitos negativos após o estabelecimento de práticas inadequadas.
B. existem evidências científicas comprovando o maior benefício do uso de alimentos orgânicos, porém o custo impossibilita seu uso disseminado
INCORRETO : Não existem evidências científicas robustas que comprovem benefícios nutricionais ou de saúde superiores dos alimentos orgânicos em comparação aos convencionais; a principal vantagem é a menor exposição a resíduos de pesticidas, mas sem impacto clínico demonstrado que justifique recomendação universal ou prioridade sobre o custo.
C. há baixa biodisponibilidade do ferro na alimentação vegetariana, porém sua deficiência nas crianças vegetarianas é incomum comparado às não vegetarianas
CORRETO : O ferro de fontes vegetais (não-heme) possui menor biodisponibilidade devido à presença de inibidores como fitatos, oxalatos e polifenóis. No entanto, em dietas vegetarianas bem planejadas, com ingestão adequada de ferro e associadas a fontes de vitamina C que potenciam a absorção, a ocorrência de deficiência de ferro em crianças vegetarianas não é mais frequente do que em crianças não vegetarianas, desde que haja monitoramento laboratorial periódico. Essa afirmação reforça a aceitação da diversidade alimentar e da opção dos pais, alinhando-se aos conceitos atuais que validam dietas vegetarianas como adequadas quando adequadamente orientadas.
D. se um alimento ou suplemento é natural, o risco potencial para a saúde é inexistente e, ao contrário, há no mínimo o benefício da não inclusão de aditivos químicos
INCORRETO : Produtos “naturais” podem apresentar riscos significativos à saúde (contaminações, toxinas naturais ou doses excessivas), não havendo garantia de segurança ou benefício apenas pela ausência de aditivos sintéticos; o conceito de “natural” não equivale a ausência de risco.
E. alimentos orgânicos apresentam comprovadamente maior valor nutricional, justificando seu uso preferencial apesar do maior custo
INCORRETO : Embora alimentos orgânicos possam ter menor carga de agrotóxicos, não há comprovação de maior valor nutricional em termos de macronutrientes ou micronutrientes que justifique o maior custo como prática preferencial ou disseminada.
Gabarito: C
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FONTE:
Criança HYJ, etnia asiática, F, 6 anos e 2 meses, 24 kg, previamente hígida, inicia no dia de 12 de abril desconforto abdominal, fraqueza e anorexia, febre 38,3°C.
Os pais procuraram a UPA aonde foi feito um diagnostico de 'virose' medicada com Paracetamol 1 gota por quilo de peso e sais orias de hidratação e o quadro clinico teve um período de remissão, mas depois de 3 dias de tratamento houve nova piora gradual do vômito e da inapetência. Os pais levaram a criança desta vez para um consultório, aonde foi feito um exame clinico geral e foram solicitados alguns exames. Dia seguinte á essa consulta, antes mesmo de fazer a coleta, a criança apresentou escléras amareladas e recomeçou vômitos – teve um mal estar com 'desmaio' e em seguida, apresentou 'movimentos descontrolados da cabeça e da mão'. Neste momento eles levaram a criança de novo na UPA aonde foi solicitada a internação.
Na entrada no hospital a criança se apresentava com cor amarelada das escleras, choro inconsolável, incapacidade de responder coerentemente ás perguntas, desatenção e sonolência o que levou a mãe afirmar que a criança dela 'não é assim', que mudou muito o comportamento nos últimos dias. Reflexos neurológicos normais. Respiratório e cardiovascular normal. Abdome difusamente doloroso, fígado palpável a aproximadamente 2 cm do rebordo costal direito, de superfície lisa e bordos finos. Foi solicitada a consulta com neurologista por suspeita de encefalite e foi mantida em observação. Solicitados hemograma (normal), exame de licor (normal), bilirrubinas (BT: , enzimas hepáticas (aspartato transaminase (AST) = 1377 UI/l; alanina transaminase (ALT) = 1717 UI/l; bilirrubina total=15,1 mg/dl com predomínio da forma direta - 13,1 mg/dl). Urina com bilirrubinuria e fezes normais com exame de parasitas negativo.>br>
1) Frente á esse quadro qual é o exame de laboratório que não foi solicitado e tem que ser pedido em seguida? (0,125 pontos)
2) Qual o grau de encefalopatia apresentada pela criança no momento da internação (0,125 pontos)
3) O que pode ter piorado o quadro clinico desde a primeira apresentação na UPA? (0,125 pontos)
4) Qual a principal suspeita diagnóstica? (0,125 pontos)
1) Frente á esse quadro qual é o exame de laboratório que não foi solicitado e tem que ser pedido em seguida? (0,125 pontos)
O INR!!! Estamos na frente duma alta suspeita de encefalopatia com hepatopatia. INR >2 deve ser sempre um sinal de alarme: Vitamina K deve ser administrada e INR repetido em 6 horas. Na auseência de melhora, o pediatra deve contatar especialista/ centro de referência em transplante para que o paciente seja precocemente encaminhado e admitido em local que possa receber suporte adequado.
2) Qual o grau de encefalopatia apresentada pela criança no momento da internação (0,125 pontos)

Provavelmente uma encefalopatia grau I (conforme a tabela, há mudança de comportamento com reflexos normais).
3) O que pode ter piorado o quadro clinico desde a primeira apresentação na UPA? (0,125 pontos)
Observa-se que a criança recebeu tanto na UPA quanto para tratamento domiciliar o acetaminofeno - um 'inimigo' do figado - mesmo que a dose está correta, se algum outro fator causou a hepatopatia, o paracetamol com certeza contribuiu na piora do quadro.
4) Qual a principal suspeita diagnóstica? (0,125 pontos)
Insuficiência hepática aguda é classicamente definida (definição da década de 70) pela evolução para encefalopatia em menos de 8 semanas, e ausência de doença hepática crônica. Em pediatria, muitas vezes difícil definir encefalopatia (sobretudo em crianças menores, que podem apresentar apenas irritabilidade).
É um evento raro, mas com alta letalidade. Em geral mesmo grandes centros, transplantam em média 5-8 casos por insuficiencia hepática aguda por ano. O correto é que esses centros recebam e manejem essas crianças, ainda que na evolução elas não vão à transplante. Letalidade chega a ultrapassar 1/3 dos casos. História natural é dificil de ser discutida. Crianças são listadas para transplante e se tornam prioridade em nível nacional.
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