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RATING: 3.33 ![]()
Paciente de 45 anos, feminina, é admitida no pronto-socorro com queixa de dor em região anorretal há três dias. A dor é constante e não é relacionada somente com a evacuação. Não apresenta sangramento anal associado ao quadro. Ao exame proctológico nota-se tumoração perianal com presença de sinais flogísticos locais e bastante doloroso ao toque. Com relação ao quadro clínico, assinale o diagnóstico mais provável e o mecanismo fisiopatológico que explica a gênese da doença em questão.
A. fissura anal aguda e sexo anal receptivo
INCORRETO: A fissura anal aguda causa dor intensa predominantemente durante e imediatamente após a evacuação, em geral acompanhada de sangramento vivo ao final da defecação. A dor não é constante ao longo do dia e não produz tumoração perianal com sinais flogísticos difusos; o achado típico é uma solução de continuidade linear na anoderma, eventualmente com plicoma sentinela. Sexo anal receptivo não é o mecanismo fisiopatológico habitual da fissura e não foi referido na história.
B. abscesso perianal e infecção criptoglandular
CORRETO : O quadro descreve com precisão um abscesso perianal agudo. A dor constante (não apenas defecatória), o início recente de três dias, a presença de tumoração perianal com sinais flogísticos evidentes (rubor, tumor, calor e dor intensa à palpação) são característicos de coleção purulenta superficial no espaço perianal. O mecanismo fisiopatológico central é a infecção criptoglandular: as glândulas anais localizadas na linha pectínea sofrem obstrução de seus ductos por material fecal ou edema, permitindo proliferação bacteriana polimicrobiana (predominantemente gram-negativos entéricos e anaeróbios). Isso leva à formação de pus, acúmulo no espaço perianal e ao quadro inflamatório agudo observado ao exame.
C. sífilis anorretal e infecção pelo Treponema pallidum
INCORRETO : A sífilis anorretal primária manifesta-se habitualmente por cancro duro, indolor ou pouco doloroso, com bordas elevadas e base limpa, sem tumoração inflamatória aguda com flogose intensa. O Treponema pallidum não produz abscesso criptoglandular; o quadro de três dias de dor constante e massa perianal dolorosa não corresponde à evolução de lesão sifilítica.
D. hemorroida trombosada e constipação intestinal crônica
INCORRETO : A hemorroida externa trombosada causa dor súbita e tumoração localizada, geralmente azulada ou arroxeada, mas sem sinais flogísticos extensos de celulite perianal. A constipação intestinal crônica não foi mencionada e não explica a presença de inflamação aguda difusa ao redor da lesão. O exame típico revela o coxim hemorroidário trombosado, não uma tumoração perianal com flogose.
E. fístula anal e imunossupressão
INCORRETO : A fístula anal é uma condição crônica, caracterizada por trajeto persistente com drenagem intermitente ou orifício cutâneo secundário, não por quadro agudo de três dias com dor constante e tumoração inflamatória única. Imunossupressão não foi referida na história e não é requisito para o desenvolvimento de abscesso perianal criptoglandular em pacientes imunocompetentes.
Gabarito: B
RATING: 2.93 ![]()
FONTE:
Paciente do sexo feminino, 42 anos, previamente hígida, procura atendimento por quadro progressivo de 8 meses de evolução caracterizado por amenorreia secundária, hirsutismo de padrão androgênico (face, tórax e abdome), acne severa, clitoromegalia, ganho ponderal de 12 kg, fraqueza muscular proximal, hipertensão arterial de difícil controle (PA 168/104 mmHg) e dor em flanco direito.
Ao exame físico evidencia-se fácies cushingoide, giba dorsal, estrias violáceas abdominais largas, atrofia muscular proximal e massa abdominal palpável em hipocôndrio/flanco direito de consistência firme.
Exames laboratoriais revelam: cortisol sérico basal elevado (28 µg/dL) sem supressão no teste com 1 mg de dexametasona; ACTH plasmático indetectável; testosterona total 285 ng/dL; DHEAS 1.850 µg/dL; potássio 2,9 mEq/L; glicemia de jejum 148 mg/dL.
Tomografia computadorizada de abdome demonstra massa adrenal direita de 11,8 cm, heterogênea, com áreas de necrose, calcificações grosseiras, densidade elevada e realce heterogêneo, além de trombo tumoral em veia cava inferior.
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